O que é o projeto hidrossanitário?

O Projeto Hidrossanitário se refere ao projeto hidráulico e sanitário, delimitando a distribuição da água fria, água quente, esgoto, água pluvial, caixas de gordura e sistema de ventilação por toda a edificação. Não representa apenas a marcação dos pontos hidráulicos como torneiras e chuveiros, mas um verdadeiro mapeamento desse sistema.

Dessa forma, engloba desde a água limpa fornecida pela concessionária e que chega às peças sanitárias, até a eliminação da água negra (efluente dos vasos sanitários).  

Uma das etapas mais importantes de um projeto é o planejamento, e parte desse planejamento é a elaboração de um Projeto Hidrossanitário. Primeiramente, seu desenvolvimento deve estar alinhado ao Projeto Arquitetônico e seus projetos complementares, para garantir a compatibilização das diferentes plantas e a instalação adequada de todos os elementos.

Dessa forma, o Projeto Hidrossanitário irá permitir um melhor desempenho da edificação e a economia tanto na compra dos materiais quanto em posteriores manutenções. 

Por isso, é de extrema importância que profissionais das áreas de arquitetura e engenharia tenham conhecimento de como fazer um Projeto Hidrossanitário, assim como suas vantagens e quais problemas decorrem da sua ausência

Por que fazer um projeto hidrossanitário? 

Ainda que seja um projeto pouco executado, o Projeto Hidrossanitário pode fazer toda a diferença em uma edificação. A partir da sua elaboração, a construção recebe os elementos necessários para um bom funcionamento das instalações hidráulicas e de esgoto. Além disso, é uma documentação que registra as características e localização de todo o sistema. 

No projeto, aparecem elementos como tubulação, válvulas, bombas, sifões, caixas de armazenamento e registros, que se conectam aos equipamentos sanitários. Tudo deve estar de acordo com o Projeto Arquitetônico, pois a falta de compatibilização pode prejudicar a execução da obra.  

Vantagens

Entre as vantagens e problemas evitados podemos listar os seguintes: 

O desenvolvimento do projeto evita diversos problemas aos usuários, derivados do mau dimensionamento. São exemplo as peças sanitárias que não podem ser usadas ao mesmo tempo, interferência na circulação da água quente ao acionar mais de um equipamento sanitário, ruído nas tubulações, entupimentos e mau cheiro. 

Quais as etapas de um projeto hidrossanitário?

Em um Projeto Hidrossanitário existem diferentes elementos para se desenvolver, todos eles de grande relevância para uma boa funcionalidade. Dentre eles:

A princípio, para aprovação, é necessário que se adeque as normas. Estas requerem uma determinada pressão para o sistema de água (NBR 5626:1998) e vazão adequada para o sistema de esgoto (NBR 8160:1999). Também devem ser entregues o memorial descritivo, memorial de cálculo e ART ou RRT.

O projeto deve garantir a eficiência do sistema e compatibilização com os sistemas envolvidos, principalmente o de estrutura e prevenção contra incêndios. Quanto mais bem definidas as informações, mais claro fica o projeto e menor a chance de erros na execução.  Pode-se dividir a sua elaboração em diferentes partes, sendo estas o projeto de água fria, o projeto de água quente (quando houver), o projeto sanitário e o projeto pluvial.  

Projeto de Água Fria 

Nesse projeto, a partir do cálculo de distribuição de água potável, delimitam-se as instalações de água fria. Então, se representa a locação da entrada de água (hidrômetro e registro), as colunas de distribuição da água, os ramais de distribuição, a localização das peças de saída e pode incluir também a caixa d’água. 

No projeto, aparecem desenhos e especificações técnicas para definir a instalação do sistema, alimentação, reservas e distribuição de água fria nas edificações. Além disso, se apresentam os memoriais e elementos gráficos que facilitem a sua compreensão. 

Para sua aprovação, o projeto de água fria deve obedecer às normas da ABNT (NBR 5626:1998), vigilância sanitária, corpo de bombeiros, prefeitura municipal e outros órgãos competentes, a depender de cada cidade. 

Reservatórios 

Sabendo a localização da caixa d’água e suas dimensões, é necessário desenhar seu corte para visualização da capacidade e tubulações.  

Quando possível, é recomendado o uso de duas unidades de abastecimento, com o objetivo de permitir a manutenção sem interromper o abastecimento da edificação. Às vezes, surgem situações que não possibilitam a execução de um reservatório superior com as condições ideais de vazão e pressão, casos em que se recomenda o uso do sistema hidropneumático.  

Por outro lado, se o abastecimento de água for realizado por caminhão pipa ou se o sistema for deficiente, é orientado o estudo de reservatórios com capacidade maior, garantindo a disponibilidade de água. Ao passo que, caso o local da construção não seja atendido pela distribuição de água, pode-se optar pelo poço artesiano

Se houver sistema de água quente, deve-se considerar o tamanho do boiler ou aquecedor. Quando for estabelecido o reaproveitamento de águas pluviais, essa questão deve ser considerada no cálculo volumétrico para seu reservatório, assim como estrutural, garantindo a carga adequada no projeto. 

Os reservatórios precisam ser fechados e cobertos para evitar a entrada de fragmentos que possam contaminar a água. No entanto, o acesso ao seu interior precisa ser facilitado para realização de vistorias, limpeza e manutenção.  

Enfim, para sua execução, deve-se instalar limitadores do nível de água, que evitam perda por extravasamento e tubulação de limpeza abaixo do nível mínimo e extravaso que possibilite a descarga da vazão máxima.  Já no reservatório inferior, é necessário prever um ramal com instalação elevatória para realização da limpeza, quando não for possível o uso de ramal por gravidade.  

Dimensionamento dos reservatórios

Para o cálculo da caixa d’água, leva-se em consideração o consumo de água de acordo com a área e quantidade de moradores, acrescido da reserva de incêndio. A concessionária deve conceder ao autor do projeto o valor de consumo diário por pessoa, de acordo com o tipo de edificação. Usa-se como referência a seguinte tabela:

Por exemplo, se usarmos o valor de consumo médio diário de uma residência (150 litros por pessoa) em uma habitação para 3 moradores e uma reserva para 2 dias sem água, teremos a seguinte expressão:

Em seguida, no dimensionamento dos reservatórios, o inferior (cisterna) considera 60% desse volume total. Da mesma forma, o superior deve contar com apenas 40%, somado a reserva de incêndio. De acordo com os valores determinados na NBR 13.714/2000, o reservatório de incêndio se calcula a partir de V (volume em l), Q (vazão, em litros por minuto) e t (tempo), constituem a seguinte fórmula:

Seu resultado determina o volume da reserva que será acrescido aos 40% totais do reservatório superior, para posteriormente fazer seu dimensionamento. 

Projeto de Água Quente 

Para o projeto de água quente, é necessário prever a tubulação que leva a água da caixa d’água o boiler e para as peças sanitárias. Contudo, essa tubulação de água quente é feita separada da água fria, com a sua ligação apenas perto do ponto de saída, onde se encontra o misturador

Para o projeto, são desenvolvidos desenhos e especificações técnicas para definir a instalação do sistema de aquecimento, reserva e distribuição de água quente nas edificações. Apresenta-se também memoriais e elementos gráficos que facilitem a sua compreensão. 

Projeto Sanitário 

Elaborado de acordo com as exigências referentes a higiene, economia e segurança, o projeto deve apresentar a locação de ralos, caixas de passagem, gordura, inspeção, filtros e demais elementos. Além disso, devemos verificar quais materiais e peças vão ser especificados. 

O esgoto originado nas edificações deve ser coletado pelos tubos de queda e levado para as caixas de gordura e espuma localizados nas áreas molhadas e para as caixas de inspeção localizadas em áreas externas. Por fim, todo o esgoto é reunido em uma caixa de inspeção geral, conectada ao poço lumiar e que destina esse resíduo à rede pública, onde será tratado. 

Quando não houver uma rede pública para tratamento do esgoto, deve ser feito o sistema individual de tratamento, a fossa. Em relação a prumada das tubulações, precisa ter inclinação adequada, que permita o escoamento auxiliado pela gravidade.  

O projeto deve conter desenhos e especificações técnicas para definir a instalação do sistema de coleta, condução e afastamento dos despejos de esgoto sanitário das edificações. Além disso, deve apresentar memoriais e elementos gráficos que facilitem a sua compreensão. 

Projeto Pluvial 

Para o projeto pluvial se incluem elementos que tem como utilidade direcionar e destinar a água da chuva. O dimensionamento da calha que vai conduzir essa água deve levar em consideração:

Fazem parte do projeto de drenagem pluvial as águas provenientes das coberturas e áreas impermeáveis descobertas (como pátios, quintais, ruas e estacionamentos), assim como as águas pluviais de infiltração, provenientes de superfícies permeáveis (jardins e demais áreas não pavimentadas). 

O destino da água pluvial não deve ser a rede de esgoto pública, pois pode resultar no transbordamento dos bueiros e ralos. Em alguns casos há redes públicas para coleta da água pluvial, mas quando estes não existirem, utiliza-se um sistema individual.  

Assim como os desenhos e especificações técnicas para definir a instalação do sistema de captação, condução, afastamento e reaproveitamento das águas pluviais, o projeto deve apresentar os materiais utilizados e elementos gráficos que facilitem a sua compreensão. 

Além disso, o projeto pluvial também permite o aproveitamento da captação de água da chuva. No entanto, essa água só pode ser usada para fins que não necessitam de água potável, como regas do jardim, lavagem de roupas e descargas. 

Como fazer um projeto hidrossanitário 

A primeira etapa para o desenvolvimento de qualquer projeto é o planejamento. Antes de tudo, é preciso ter como base o Projeto Arquitetônico (seguindo a NBR 13532:1995, para elaboração de projetos de edificações) e o Projeto Estrutural, para garantir a compatibilização de todos os sistemas.

Cálculo e dimensionamento 

Primeiramente, no projeto hidrossanitário, algumas das características a serem analisadas são a pressão da água, quantidade de usuários e destino dos efluentes. Assim, a partir dessas informações são feitos os cálculos para dimensionar os elementos e garantir sua eficiência, com base nas normas da vigilância sanitária. 

Desenhos técnicos 

Após o dimensionamento, é feito o desenho técnico, registro que serve como guia na execução e futuras reformas ou manutenções. Segue o padrão de detalhes dos subsistemas que constituem o Projeto Hidrossanitário, explicados anteriormente. Composto por plantas baixas, detalhes de esgoto, isométricas de água, esquemas verticais de ambos e detalhes específicos.  

Detalhe de esgoto do banheiro

O desenho deve conter características das tubulações e demais elementos, sendo muito importante se atentar ao diâmetro das tubulações, que precisam estar adequados para garantir sua interligação sem problemas.  

No memorial descritivo, os materiais utilizados estarão especificados em detalhes. É importante se certificar de usar produtos de qualidade, que possuam garantia, seguindo as especificações. Para as tubulações, a resistência à variação de temperatura dos materiais deve ser considerada. 

Execução 

Antes de mais nada, é preciso analisar quaisquer interferências com os demais projetos. Essa análise pode ser feita a partir do uso de softwares e qualquer alteração necessária deve ser estudada pelo projetista, que dessa forma, irá adequar os cálculos e prever as necessidades da obra, dentro do possível. Não se deve tomar decisões durante a obra, pois estas alterações podem causar danos na estrutura. 

Para a execução, o encanador deve ter acompanhamento, o que irá assegurar a compreensão do projeto, assim como o material fornecido, composto pelos desenhos e cortes com a posição dos equipamentos, o detalhamento e lista de materiais.

Após a execução, o monitoramento e manutenção durante a construção permitem a identificação de possíveis vazamentos. Dessa forma, são feitas manutenções preventivas, que geram uma queda de custos com manutenções corretivas posteriormente.  
Qual programa usar?
Para analisar interferências entre o Projeto Hidrossanitário, Estrutural, Arquitetônico e demais complementares, podemos fazer uso dos softwares, que irão garantir a coerência e certeza do processo. Assim, os proprietários tem segurança de que a construção ocorrerá da forma correta, sem problemas. 
Em suma, o mais recomendado é fazer uso de programas 3D que possibilitam a produção automatizada da lista de materiais. O Revit conta com templates completos e é portanto uma opção muito prática para o detalhamento do projeto, permitindo a redução do tempo gasto na sua elaboração e facilitação de todas as etapas. 

Conclusão

Concluí-se que o Projeto Hidrossanitário é de extrema importância. Ou seja, traz vantagens como economia, facilidade de manutenção, sustentabilidade e bom custo-benefício, além de evitar problemas comuns na sua ausência, que causam transtorno para os usuários. Dentre eles os ruídos da tubulação, mau cheiro e má distribuição da água. 

Seu desenvolvimento é bastante complexo e deve ser feito por arquitetos ou engenheiros, com atenção aos detalhes e ao Projeto Arquitetônico, assim como seus projetos complementares

Esse artigo tem a intenção de orientar as etapas do Projeto Hidrossanitário e seus elementos, mas cada caso é único e sua leitura não dispensa a pesquisa individual, leitura das normas e prática

Autora: Andressa Zerbinatti
Fonte: Projeto Hidrossanitário: O que é e passo a passo de como fazer (projetou.com.br)

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